DO CAMPO AO LOOP: ENTENDA O CONCEITO E SAIBA COMO APLICAR
Em economia circular, 'loop'
é o ciclo contínuo
em que resíduos de um processo viram matéria-prima para outro, mantendo os recursos em uso no máximo possível. No agronegócio isso
significa:
🐮Esterco animal vira adubo → alimenta o solo → produzo nova
lavoura → gera novo esterco → recomeça o ciclo. 🔗
🌽Palha de milho vira cobertura do solo → se decompõe → nutre o solo →
reduz a necessidade do uso de fertilizantes. 🔗
🎋Bagaço de Cana de Açúcar → a cinza volta como fertilizante → a cana
cresce novamente 🔗
Esse loop é a
oposição direta ao modelo linear (Extrair → usar → descartar). Ele fecha o ciclo produtivo, transformando o que
antes era perda em valor, tanto econômico quanto
ambiental.
VOCÊ ENTENDEU?
LOOP = CICLO FECHADO DE REAPROVEITAMENTO CONTÍNUO DE RECURSOS NO
AGRONEGÓCIO, ONDE NADA É DESPERDIÇADO E TUDO VOLTA A ENTRAR NO
SISTEMA.
TUDO SE CRIA E NADA SE DISPERDIÇA
Em um mundo cada vez mais consciente dos limites dos recursos naturais, o
agronegócio enfrenta um desafio e uma oportunidade:
-
Repensar seu modelo produto para ser mais sustentável, e,
paradoxalmente, mais lucrativo.
É nesse cenário que surge a economia circular, um conceito que propõe
transformar o tradicional ciclo linear de "produzir, usar e descartar" em um
sistema regenerativo onde os resíduos se tornam matéria-prima para
novos produtos, fechando o loop da produção.
ENTENDENDO A ECONOMIA CIRCULAR NO CAMPO
A economia circular no agronegócio pode ser resumida em três
pilares:
-
Reduzir o desperdício,
-
Regenerar os ecossistemas
-
Criar novas fontes de valor.
Em vez de encarar subprodutos como lixo, o setor passa a vê-los como insumos
preciosos.
Isso significa transformar a
palha de milho em biomassa energética, converter cascas de café em
biochar - um fertilizante de alta performance - ou até mesmo fechar o
ciclo da água em sistemas aquaponics, onde o efluente de uma criação
de peixes nutre plantas hidropônicas.
O BRASIL: UMA HISTÓRIA DE POTENCIAL E DESAGIOS
O Brasil já caminha alguns passos à frente nesse movimento. O país conta
com uma legislação pioneira em logística reversa, a Política Nacional
de Resíduos Sólidos (PNRS), desde 2010, e detém uma posição privilegiada
como gigante das commodities agrícolas.
No entanto, ainda desperdiça cerca de 30% da sua produção
pós-colheita.
Apesar disso, o potencial é imenso:
😀32, 9% do território nacional é área agrícola, oferecendo uma vasta
matéria-prima para processo de "upcycling".
🔗
Além disso, iniciativas como a RenovaBio já permitem que usinas
gerem créditos de carbono ao reciclarem resíduos.
🔗
O principal gargalo, segundo especialistas, é a escassez de capital semente
para startups que atuam na bioeconomia, limitando a inovação de base.
LIDERANDO A MUDANÇA: CASES GLOBAIS INSPIRADORES
Enquanto o Brasil ajusta suas peças, outros países já lideram com exemplo
práticos de como a economia circular pode gerar impacto e retorno
financeiro.
Na cidade-estado de Singapura, onde o espaço é escasso, a empresa
Sky Greens desenvolveu torres verticais de vegetais que utilizam 95% menos
água do que a agricultura convencional.
>Já em Hong Kong, o HKRITA (Instituto de Pesquisa e Inovação de
Têxteis) encontrou uma solução inusitada: reciclar fibras têxteis em
compostagem urbana, um exemplo de como a escassez pode forçar a
inovação.
Na Indonésia, a Tropicália demonstra como a casa de cacau pode ser
transformar em embalagens biodegradáveis, reduzindo em 40% o uso de plástico
nas cadeias produtivas.
No México, biofábricas utilizam resíduos de milho para cultivar fungos,
substituindo parcialmente insumos químicos e reduzindo custos em
12%.
Nos Estados Unidos, a startup Indigo Ag criou um mercado para o carbono agrícola, negociando
créditos, capturados pelas lavouras na bolsa de Chicago.
Na China, fazendas verticais de porcos conhecias como "hotéis de
porcos", incorporam digestores anaeróbicos que convertem dejetos em energia,
vendida para a rede nacional.
Na África do Sul, a criatividade floresce ao transformar biocascas
de banana em absorventes higiênicos, gerando renda para milhares de mulheres
rurais.
Na Nigéria, a startup Releaf processa a casca de palmiste para produzir
óleo, obtendo um impressionante ROI (Retorno sobre o Investimento) de 300%
em apenas 18 meses.
Na Rússia, o Projeto BioDom avança ao converter resíduos de trigo em etanol
de segunda geração, com a meta ambiciosa de evitar 1 milhão de toneladas de
CO2 até 2030.
PASSO A PASSO PARA EMPREENDER COM CIRCULARIDADE
Para empreendedores que desejam ingressar nesse universo, o caminho pode
parecer complexo, mas é perfeitamente trilhável. Um guia prático pode
ajudar:
-
Mapear os Resíduos: Identificar qual é o subproduto mais abundante
na região de atuação como a palha do arroz no Rio Grande do Sul;
-
Validar o Mercado: Utilizar ferramentas como o Google Trens para
pesquisar a demanda por produtos derivados, como 'briquetes de palha',
observando tendências de crescimento;
-
Buscar Capacitação: Cursos gratuitos, como o 'Circular Economy for
Food Systems' da Universidade de Wageningen disponíveis no Coursera,
oferecem conhecimento técnico essencial;
-
Definir o Modelo de Receita: Existem várias possibilidades: vender
diretamente o subproduto transformado (como farinha de ossos como
fertilizante), licenciar a tecnologia desenvolvida (como um reator de
biochar) ou negociar certificados de crédito de carbono em mercados
específicos.
-
Testar com pré-Vendas: Plataformas de financiamento coletivo
(crowdfuning) como Kickstarter ou Kickante permite validas a demanda real
antes do investimento pesado em maquinário.
CONHECER AS FERRAMENTASI LEGAIS DISPONÍVEIS
Cada país oferece ferramentas legais e regulatórias que podem apoiar esses
negócios. No Brasil, a PNRS e o Marco Legal das Startups (Lei n.
13.874/2019) facilitam a operação e testes de novos modelos. Nos EUA, a Farm
Bill de 2023 prevê linhas de crédito para tecnologias de carbono azul. Na
África, iniciativas como AFR 100 mobilizam fundos bilionários para a
restauração de paisagens degradadas, abrindo espaço para negócios
circulares.
FECHANDO O LOOP DO FUTURO
A economia circular não é apenas uma tendência: é uma necessidade
para um agronegócio sustentável e próspero. Dos arranha-céus
agrícolas de Singapura às biofábricas africanas, os exemplos mostram que é
possível produzir mais com menos, regenerando o meio ambiente e gerando
riqueza.
Para os empreendedores, o campo (e a cidade) está fértil para novas ideias
que transformem resíduos em oportunidades, fechando o loop da
inovação global.
Se este panorama inspirou você, compartilhe com outros agro
empreendedores.
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